O que aconteceu foi que após quase 100 anos de exaustivos estudos dos fragmentos de rocha lunar trazidos à terra pela expedição Apollo 11, um grupo de cientistas terrestres fez descobertas importantíssimas sobre as propriedades deste mineral, que garantiram o progresso da civilização e a sobrevivência da espécie.
Após o esgotamento das reservas de petróleo, a esperança por tantos anos depositada nas fontes de energia “limpas” e renováveis foi desacreditada quando estas revelaram-se incapazes de suster a demanda gerada pela humanidade. Por este motivo, durante algumas décadas a terra inteira precisou ser movimentada por fissão nuclear, mas os procedimentos para a obtenção desta forma de energia tornavam-se cada vez mais perigosos em um planeta super-povoado, carente de lugares isolados e seguros para a construção de usinas. Assim, quando repetidos acidentes destruíram a credibilidade da população a respeito da segurança deste tipo de indústria, logo a humanidade inteira protestava e exigia um método mais seguro para acender as luzes da civilização.
Foi um jovem químico inglês chamado Robert Pennyownmann, ao observar a microestrutura de alguns átomos daquelas rochas, quem deu o primeiro palpite a respeito de suas propriedades energéticas. Conseguiu, junto à NASA e ao governo dos Estados Unidos, recursos para desenvolver sua pesquisas, e em questão de alguns anos apresentou relatórios que descreviam resultados milagrosos, revelando a descoberta de uma fonte de energia poderosíssima, com conteúdo poluente insignificante. Então, algumas expedições foram enviadas à lua com o objetivo de coletar mais exemplares de rochas, e em pouco tempo Pennyownmann comprovou que as pedras subterrâneas possuíam capacidade energética quase 100 vezes mais alta do que as coletadas na superfície – e esta notícia deixou a humanidade enlouquecida, inaugurando uma corrida desenfreada de colonização ao satélite natural.
Em poucos meses, os governos dos países mais ricos organizaram expedições de reconhecimento, e a iniciativa privada desenvolveu ambiciosos projetos para a extração do mineral. As Nações Unidas construíram postos militares e centros de pesquisa espacial no solo lunar, e este incentivo foi o suficiente para que as grandes corporações colocassem em prática os projetos desenvolvidos pelos melhores engenheiros terrestres. Rapidamente, com o auxílio de muita tecnologia, os homens conseguiram transformar a lua em um lugar inclusive habitável, vencendo obstáculos como a diferença de gravidade, ausência de oxigênio, e as baixíssimas temperaturas.
A riqueza gerada pelas escavações atraiu uma série de corajosos pioneiros para lá. Todos os meses, naves financiadas pela ONU levavam uma ou duas famílias de colonos, e lhes concediam um pequeno terreno em locais em que fora comprovada a não existência do valioso minério. Algumas outras pesquisas, desenvolvidas por cientistas que entraram no embalo das descobertas de Pennyownmann, revelaram que o solo lunar possuía ainda outras qualidades, entre elas a presença de alguns nutrientes que faziam a vegetação crescer de forma espontânea, acelerada e exuberante – e com a ajuda, é claro, de um pouco de solo terrestre e engenharia ambiental, alguns agrônomos deram um jeito de fazer com que várias espécies de sementes terrestres germinassem na lua, principalmente algumas hortaliças que não exigem condições ambientais muito específicas.
Assim, as famílias que não aplicavam sua força produtiva na extração de minério, fundaram estufas onde cultivavam algumas frutas e variadas hortaliças, que cresciam de forma deslumbrante. Nunca, em toda a terra, haviam brotado alimentos tão formosos, suculentos e saborosos. E, depois de algumas tentativas fracassadas, conseguiram adaptar algumas espécies de animais domésticos, como bois, porcos e frangos, ao ambiente lunar – e estes produziam queijos ainda mais saborosos, punham ovos com qualidade nutritiva superior, e possuíam uma carne altamente macia e também nutriente.
O que quero dizer é que, em questão de 15 ou 20 anos, 1/6 da superfície lunar já estava tomado pela humanidade – que, com sua inteligência avançada, conseguiu transformar este ambiente inóspito e aparentemente inabitável em um novo lar, vivendo em estufas onde a atmosfera era artificial e muito parecida com a de seu planeta natal. E, quando os burgueses perceberam que a lua já contava com significativa quantidade de potenciais consumidores, começaram a estabelecer as primeiras casas de comércio por lá.
Desta forma, a vida na lua acabou ficando muito parecida com a vida na terra. Os jovens de lá também pixavam muros, gostavam de drogas, e fundavam bandas de rock